Na pecuária brasileira, as pastagens representam o principal recurso alimentar, compondo a maior parte da dieta dos bovinos produzidos a pasto. Esta característica deve se a fatores como o baixo custo, a grande aptidão produtiva e ao fácil cultivo.

O interesse em aumentar a produtividade das fazendas através das pastagens vem crescendo ano após ano e isso vem fazendo com que técnicos e pecuaristas busquem cada vez mais métodos de manejo e ferramentas que proporcionem estes incrementos. A visão de produtividade normalmente está relacionada a elevadas produções de matéria seca (MS) e aumento na taxa de lotação das fazendas. No entanto, isso nem sempre significa elevada produtividade em bovinos, já que o ganho de peso precisa ser considerado. Não adianta aumentar a produção de MS das pastagens através de adubações ou substituição das espécies forrageiras e não colher de forma eficiente. Com manejo eficaz pode-se mudar o perfil produtivo da fazenda e torna-la mais lucrativa, seja ela manejada de forma mais ou menos intensiva com ou sem adubação.

A eficiência com que as forragens produzidas são colhidas pelos animais representa um dos fatores determinantes para o ganho de peso, uma vez que 60-90% do ganho de peso é determinado pelo consumo de forragem e cerca de 10-40% dependente do valor nutritivo da espécie forrageira. Sendo assim, a principal ferramenta para incrementar a produtividade é o manejo eficaz, que requer adequar, administrar e monitorar o que é ofertado e o que é demandado. Mais importante do que ofertar forragem, é fornece-la em qualidade e para que isso ocorra as pastagens devem conter muita folha no seu dossel.

Monitorar e administrar nada mais é do que planejar a quantidade de forragem que é demandada, entendendo que ao longo do ano existe sazonalidade de produção e que há diferenças em produção de forragens entre o período de “águas” e “secas”, como pode ser observado na figura 1.

bovinos manejo de pastagem

Figura 1. Sazonalidade de produção x demanda forrageira.

 

Os fatores climáticos exercem grandes impactos sobre as variações no ritmo de crescimento das plantas forrageiras. A análise de séries históricas e o acompanhamento das variáveis agroclimáticas são ferramentas preciosas na orientação de técnicos e produtores no planejamento e nos ajustes de lotação de bovinos das fazendas.

manejo-pastagens

 

Os ajustes de lotação animal devem ser feitos frequentemente, já que alterações climáticas inesperadas podem ocorrer durante o ano, tornando necessário mudar a carga dos bovinos. Outros pontos importantes e que levam à necessidade de ajustes na carga animal das pastagens são: mudanças que acontecem na capacidade de suporte animal nos diferentes períodos do ano; estratégias de compra e venda de bovinos; e também de suplementação.

A mensuração da produção de forragem pode ser realizada por métodos diretos ou indiretos. O método direto mais utilizado para realizar o ajuste de lotação através da Oferta de Forragem (OF) e da Eficiência de Utilização da Pastagem (EUP) é o método do quadrado. Já o método indireto consiste em atribuir notas de escore visuais (geralmente de 1 a 5), sendo que cada nota de escore está atribuída a uma condição ou altura de pasto.

 

Oferta de Forragem (OF)

A definição da oferta de forragem é entendida como a relação entre a massa acumulada de forragem em uma determinada área (em matéria seca – MS) e a massa de animais nessa área (kg de peso vivo – PV) em um determinado período de tempo. Dessa forma, considerando-se que o gado consome entre 2,1% a 2,5% do PV em MS, a relação ou oferta ideal varia de 7% a 12% (7 a 12 kg MS por 100 kg PV, Junior et al 2003). Em pastejo rotacionado, dependendo do nível de intensificação, pode-se considerar ofertas menores, entre 4 e 7% do peso vivo, já que a eficiência de pastejo é maior.

Para sistemas de pastejo contínuo é difícil mensurar a oferta depois que os animais estejam na área. Existe um método conhecido por “gaiola de exclusão (figura 2)”, em que é colocado uma gaiola sobre uma área do piquete em pastejo, impedindo que o gado consuma a forragem e depois de um certo tempo é medida a diferença entre o pasto excluído e o pastejado. Porém, há controvérsias sobre esse método, pois há dúvidas se o acúmulo das plantas pastejadas e das excluídas seria o mesmo, uma vez que o ambiente ou pressão de pastejo sobre ambas são diferentes.

 

manejo pastagens

Outro método que pode servir de avaliação é a altura residual. Geralmente quando se olha para o pasto, o que se visualiza é o resíduo e não o que está disponível ou ofertado aos animais (desde que a carga animal esteja ajustada). Quando se maneja o pasto de forma a manter a altura ideal para a planta, considera-se de forma empírica a oferta de pasto.

 

Eficiência de Utilização da Pastagem (EUP)

A eficiência de utilização da pastagem é entendida como a relação entre a DISPONIBILIDADE TOTAL da massa de pasto (diferença entre a massa acumulada e a massa residual de pasto) e a DISPONIBILIDADE EFETIVA (Disponibilidade Total menos Perdas por senescência, pisoteio, fezes e urina), expressa em percentual.

A taxa de senescência das plantas está ligada a fatores genéticos da espécie, do ambiente que se encontra e principalmente do manejo a que é submetida. As perdas decorrentes do pastejo dependem muito de características estruturais da planta, e estão altamente correlacionadas a altura de manejo e a habilidade do gado em apreender e consumir o que lhe é ofertado.

Em pastejo continuo a EUP considerada pode variar de 35 a 50% da Disponibilidade Total. Já a EUP em sistemas de pastejo rotacionado varia de acordo com o nível de intensificação: 50% para níveis baixos; 55 – 60% níveis médios; 65 – 70% para níveis altos.

 

METODO DIRETO – MENSURAÇÃO PELO QUADRADO

Realizado com o uso de alguns equipamentos e com orientações específicas:

 

1- Quadrado de 0,25m2 (0,5m X 0,5m) para forragem com crescimento prostrado (Tifton, Coast Cross, Brachiaria, etc.);

2- Quadrado de 1m2 (1m X 1m) para forragem de crescimento cespitoso (Colonião, Tanzânia, Mombaça, etc.);

3- Tesoura / alicate / Ceifador;

4- Balança digital (precisão de gramas).

 

Oferta de Forragem (OF)

A mensuração é feita jogando o quadrado em zig zag, aleatoriamente na área em que se deseja estimar a produção ou acúmulo de forragem (mínimo de 5 vezes) de forma a se ter uma representação de todas as subáreas da pastagem.

Em seguida, corta-se as amostras RENTE ao solo, pesa a amostragem (matéria original), para obter o valor da MS das amostras. Para determinação da MS, pode ser utilizado o método de secagem em forno micro-ondas, porém o método ideal é a utilização de estufa com ventilação forçada à 65ºC. Tendo em mãos o teor de MS e o peso médio das subamostras, pode-se calcular o acúmulo de forragem (em MS) de uma determinada área.

 

Eficiência de Utilização da Pastagem (EUP)

A mensuração segue as orientações para a amostragem do cálculo da OF, porém corta-se as forragens na ALTURA DE RESÌDUO. Os cálculos da matéria seca e forragem acumuladas são feitos iguais ao da OF.

 

Taxa de Lotação (UA / ha)

Com a estimativa do acúmulo (OF) ou disponibilidade (EUP) de MS de forragem torna-se possível então calcular a lotação animal ou a capacidade de suporte da área em unidade animal por hectare (UA /ha).

O cálculo de lotação animal /hectare é de grande importância para realizar o planejamento forrageiro anual da propriedade, devendo-se considerar também para as decisões de compra e venda de bovinos, já que muitas vezes há boas oportunidades podem surgir. Porém, se o planejamento forrageiro não estiver preciso, há grandes chances de ocorrer prejuízos por erros na oferta de alimentos.

Para calcular a lotação de qualquer tipo de pastagem, deve-se considerar a quantidade de UA /ha e não simplesmente o número de cabeças /hectare, muitas vezes erroneamente utilizado. Para melhor padronização, adotou-se a UA, que equivale a 450 kg de peso vivo, como sendo o valor a ser utilizado para determinar a quantidade de kg de peso vivo em uma determinada área.

Como em muitas propriedades rurais o rebanho não é pesado frequentemente, são utilizados valores de acordo com as diferentes categorias e se a propriedade tiver como rotina a pesagem do rebanho, o valor real deverá ser utilizado. Segue abaixo a quantidade de UA por categoria:

 

Touro 1,25

Vaca/ Boi gordo 1,00

Vaca parida 1,25

Boi magro / Novilha, c /2 – 3 anos 0,75

Garrote/ Novilha, de 1 – 2 anos 0,50

Bezerro ou Bezerra mamando 0,25

Metodologia para Cálculo de lotação

 

Nº de animais X peso vivo estimado /450kg = Nº de UA

Exemplo para o cálculo:

 

Pasto de 10 ha Brachiaria brizantha MG5, adubada com 100 kg de N;

Forragem Acumulada: 1.947 kg de MS/ha

Forragem Residual: 828 kg MS/ha

Dias de ocupação no mês: 30 dias;

Oferta de Pasto: 8% (7 – 12% dependendo do sistema).

Eficiência de pastejo: 50%;

Consumo médio de matéria seca de pastagem de 2,3% = 8,97 kg MS

Peso médio dos animais 390 kg PV

 

 

Cálculo de lotação (OF):

manejo pastagens

 

 

Cálculo de lotação (EUP):

bovinos manejo pastagens

 

 

Cálculo da Taxa de Lotação (UA/ ha):

bovinos manejo pastagens

 

 

 

Bibliografia

ANDRADE, F.M.E. Valor nutritivo da forragem e desempenho de bovinos de corte em pastos de Brachiaria brizantha cv Marandu submetidos a regimes de lotação contínua. Piracicaba, 2003. Dissertação (Mestrado) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Orientador: Prof. Sila Carneiro da Silva.

BARBOSA, R.A. Manejo de desfolhação e seus efeitos nas características morfofisiológicas, dinâmica de perfilhamento e valor nutritivo do capim Tanzânia. Viçosa, UFV. 100 p. Tese (Doutorado em Zootecnia – Zootecnia). 2004. Orientador: Prof. Domicio do Nascimento Jr.

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JUNIOR, G. B. M.; Barioni, L. G.; Vilela, L.; Barcellos, A. O. Área do piquete e taxa de lotação no pastejo rotacionado. Embrapa Gado de Corte, ISSN 1517-1469; Planaltina: Embrapa Cerrados, 2003. 8 p.

SARMENTO, D.O.L. Comportamento ingestivo de bovinos em pastos de capim Marandu submetidos a regimes de lotação contínua. Piracicaba, 2003. 76p. Dissertação (Mestrado). Orientador: Prof. Sila Carneiro da Silva

SBRISSIA, A.F.; DA SILVA, S.C. O ecossistema de pastagens e a produção animal. In: W.R.S. Mattos et al. Eds. A Produção Animal na Visão dos Brasileiros, Sociedade Brasileira de Zootecnia, Piracicaba-SP, 731-754, 927 p. 2001.

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